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Desenvolvedor PJ20 de outubro de 2026

Fator r: quando o pró-labore de 28% compensa para o desenvolvedor PJ

Com o fator r acima de 28%, o DAS de exportação cai para algo entre 3% e 6% da receita. Mas o pró-labore tem INSS e imposto de renda. Até R$ 30 mil por mês, o Anexo III costuma vencer; entre R$ 30 mil e R$ 70 mil, o Anexo V.

Por André Mendes · CRC-MG 128523/O · CNPI 8740

No Simples Nacional, desenvolvimento de software e consultoria em tecnologia podem cair em dois anexos com cargas muito diferentes. Quem decide é o fator r. E como a empresa de um sócio só raramente tem empregados, quem decide o fator r é o seu pró-labore.

A regra

Fator r é a folha de salários dos últimos 12 meses dividida pela receita bruta do mesmo período.

  • Igual ou maior que 28%: Anexo III.
  • Menor que 28%: Anexo V.

Entram na folha o pró-labore, os salários, o FGTS e a contribuição patronal (CPP) efetivamente recolhida, incluída a parte paga dentro do próprio DAS. Lucros distribuídos e aluguéis ficam de fora.

A janela é de doze meses antecedentes ao mês anterior ao da apuração. Isso permite saber o anexo antes de faturar o mês. Se a receita subir de repente, o pró-labore precisa acompanhar, ou o índice cai abaixo de 28% nos meses seguintes.

Quanto custa o DAS de exportação

Na exportação, o PGDAS-D tira da alíquota o ISS, o IBS e a CBS. No Anexo III, sobra 50,90% da alíquota efetiva (IRPJ, CSLL e CPP). No Anexo V, entre 59,85% e 68,85%, conforme a faixa.

Receita mensalDAS no Anexo IIIDAS no Anexo V
R$ 10.000R$ 305 (3,05%)R$ 1.067 (10,67%)
R$ 20.000R$ 743 (3,72%)R$ 2.124 (10,62%)
R$ 40.000R$ 2.000 (5,00%)R$ 4.384 (10,96%)
R$ 80.000R$ 5.003 (6,25%)R$ 8.963 (11,20%)

Olhando só o DAS, o Anexo III ganha sempre. Mas a conta não termina aqui.

A conta completa: DAS mais pró-labore

Sobre o pró-labore incidem 11% de INSS, até o teto, e imposto de renda na fonte. Por isso comparo dois caminhos:

  • Caminho A: pró-labore de 28% da receita e Anexo III.
  • Caminho B: pró-labore de um salário mínimo (R$ 1.621) e Anexo V.
Receita mensalCaminho A (DAS + INSS + IRRF)Caminho B (DAS + INSS)
R$ 10.000R$ 613 (6,1%)R$ 1.245 (12,5%)
R$ 20.000R$ 1.588 (7,9%)R$ 2.302 (11,5%)
R$ 40.000R$ 4.848 (12,1%)R$ 4.562 (11,4%)
R$ 80.000R$ 10.930 (13,7%)R$ 9.141 (11,4%)*

*Em R$ 80 mil por mês, o Caminho B passa a pagar o imposto mínimo anual da Lei 15.270/2025. Distribuindo todo o lucro do ano, a carga definitiva dele sobe para R$ 12.098 (15,1%), acima do Caminho A.

Onde está a virada

  • Até cerca de R$ 30 mil por mês: o Caminho A paga menos.
  • Entre R$ 30 mil e R$ 70 mil: a alíquota de 27,5% do imposto de renda sobre um pró-labore alto cresce mais rápido que a diferença entre os anexos, e o Caminho B paga menos. Em R$ 50 mil, 11,6% contra 12,6%; em R$ 60 mil, 12,2% contra 12,9%. Os dois empatam em 13,4% aos R$ 70 mil.
  • Acima de R$ 70 mil: o imposto mínimo anual cresce no Caminho B e fica coberto pelo IRRF do pró-labore no Caminho A, que volta a vencer.

Quatro ressalvas

  1. Os números usam as tabelas do Simples de 2027–2028 e os parâmetros de outubro de 2026 (salário mínimo de R$ 1.621,00, teto do INSS de R$ 8.475,55). Mudam todo ano.
  2. Como a CPP do DAS também entra na folha, o contador consegue calibrar um pró-labore um pouco abaixo de 28% sem perder o Anexo III.
  3. O INSS do Caminho A eleva a média salarial para a aposentadoria. Esse efeito não entra na comparação imediata.
  4. A simulação supõe faturamento constante e nenhum empregado.

O que fazer

Calcule o fator r todo mês, sobre a janela correta, e projete os próximos doze meses. A pergunta não é só “estou acima de 28%?”, mas “na minha faixa de receita, manter 28% compensa?”. O simulador de fator r dá uma primeira ideia; a conta do seu caso, com o histórico real, é feita no diagnóstico.

Perguntas frequentes

O que entra na folha do fator r?

Salários, pró-labore, FGTS e a contribuição patronal previdenciária efetivamente recolhida, inclusive a parcela paga dentro do próprio DAS (Solução de Consulta Cosit nº 17/2021). Distribuição de lucros e aluguéis não entram.

Qual período o fator r considera?

Os doze meses antecedentes ao mês anterior ao da apuração, tanto para a receita (RBT12) quanto para a folha. Essa defasagem permite saber o anexo antes de faturar o mês, mas exige acompanhar o pró-labore quando a receita sobe.

Sempre compensa manter o fator r em 28%?

Não. Até cerca de R$ 30 mil por mês, sim. Entre R$ 30 mil e R$ 70 mil, o imposto de renda sobre um pró-labore alto cresce mais que a economia no DAS, e o Anexo V com pró-labore de um salário mínimo sai mais barato. Acima de R$ 70 mil, o Anexo III volta a vencer quando todo o lucro é distribuído.

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