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PASEP18 de março de 2026

Como ler uma microficha do PASEP: SANT, SATU e os códigos de quatro dígitos

Datas sem separador, três blocos de lançamentos por linha, seis moedas e códigos sem descrição. O protocolo de leitura, um exemplo completo com dados fictícios e os quatro erros que produzem uma planilha que fecha e está errada.

Por André Mendes · CRC-MG 128523/O · CNPI 8740

Uma microficha do PASEP é a fotografia, em microfilme, de anos de movimentação de uma conta. O fundo costuma ser escuro e os caracteres, claros. As datas têm seis dígitos sem separador, os lançamentos vêm em três blocos lado a lado, os valores passam por seis padrões monetários do Cruzeiro ao Real, e o histórico de cada lançamento é só um código de quatro algarismos.

Entre essa imagem e a planilha de cálculo existe uma etapa que costuma ser pulada: a transcrição. E os erros dela não aparecem na conferência do cálculo. Um lançamento contado duas vezes ou um saque que não aconteceu produzem uma planilha que fecha, com o resultado errado desde a origem.

Os três formatos

FormatoPeríodoO que muda
Tipo 11971 a 1975Saldo após cada lançamento, em quantidade de cotas, não em moeda
Tipo 21975 a 1981Três blocos por linha; começa no SANT e termina no SATU
Tipo 31981 a 1999Inclui órgão empregador e remuneração; cada microficha cobre dois ou três anos

No Tipo 1, tomar o número de cotas como valor em cruzeiros invalida o saldo inicial de toda a série. O Tipo 3 é o do período das reformas monetárias e concentra a maior parte das verificações.

Como ler o bloco de movimentação

Cada lançamento tem data, histórico, agência, documento e valor. A leitura segue linha por linha, da esquerda para a direita: primeiro bloco, segundo, terceiro, e então a linha seguinte.

  • Data em DDMMAA: 010786 é 1º de julho de 1986. Créditos de valorização de julho correspondem ao exercício que fechou em 30 de junho.
  • Histórico é só o código. A descrição está na relação da cartilha do banco.
  • Valor traz o sinal depois do número: 2.261,00- é débito.
  • Saldo só aparece no SANT e no SATU.

Um exemplo completo

A microficha abaixo usa dados fictícios no leiaute do Tipo 3, em cruzados:

DataCódigoValorSaldo calculadoO que é
300686SANT2.307,152.307,15Saldo de abertura
01078680063.062,415.369,56Valorização 1985/86
1208868007210,005.579,56Distribuição de cotas
010787800614.408,9219.988,48Valorização 1986/87
1208878007210,0020.198,48Distribuição de cotas
2008871010−150,0020.048,48Abono via folha (FOPAG)
010788800680.303,60100.352,08Valorização 1987/88
1208888007210,00100.562,08Distribuição de cotas
150988SATU100.562,08Fechamento confere

Duas verificações saem daqui.

O fechamento. SANT mais todos os lançamentos dá 100.562,08, igual ao SATU impresso. É o teste de que a transcrição está completa. Se não fechar, há lançamento omitido, valor lido errado ou sinal trocado, e a microficha é relida antes de seguir.

A valorização. A alíquota aplicada é o crédito dividido pelo saldo imediatamente anterior, que a microficha não imprime: 3.062,41 ÷ 2.307,15 = 132,7356% (oficial de 1985/86: 132,7357%); 14.408,92 ÷ 5.579,56 = 258,2447% (oficial: 258,2448%); 80.303,60 ÷ 20.048,48 = 400,5471% (oficial: 400,5471%). As diferenças na quarta casa vêm do arredondamento dos centavos.

O débito 1010 é um repasse por folha. Entra no saldo e é classificado pela via de pagamento para fins do Tema 1.300.

Os quatro erros que a conta não acusa

  1. Lançamentos repetidos. As microfichas do Tipo 3 se sobrepõem, e o mesmo lançamento aparece em duas. Mesma data e mesmo código: conta-se uma vez. Contado duas vezes, o excesso se propaga por todos os exercícios seguintes, porque cada saldo final é a base do próximo.
  2. SANT confundido com SATU. Em impressões desgastadas as siglas se parecem. Tomar o SATU por saldo de abertura reinicia a série no ponto de chegada e apaga o percurso, inclusive as divergências.
  3. Autorização emitida tratada como saque. Os códigos com asterisco na cartilha, como *4005 (AS Emitida) e *4035 (AS em Cesec), “não têm efeito na movimentação financeira”. Só a família AS Paga (4502 a 4509) deduz o saldo. E a AS emitida que não reaparece na microficha seguinte foi cancelada.
  4. Moeda reexpressa. Uma microficha emitida depois de uma reforma pode trazer lançamentos antigos já divididos por 1.000. Uma queda de três ordens de grandeza sem saque que a explique é o sinal.
ReformaDataFator
Cr$ → Cz$28/02/1986÷ 1.000
Cz$ → NCz$16/01/1989÷ 1.000
NCz$ → Cr$16/03/19901 : 1
Cr$ → CR$01/08/1993÷ 1.000
CR$ → R$01/07/1994÷ 2.750

E a inteligência artificial?

Ferramentas de OCR e modelos de visão extraem os lançamentos e entregam uma primeira tabela. Não seguem sozinhas a ordem de leitura por linha, não reconhecem repetições nem reexpressões de moeda e não respondem pelo resultado. O fechamento pelo SATU testa 100% dos lançamentos de cada microficha e é o controle que torna a transcrição assistida confiável. A certificação continua sendo do perito ou do assistente técnico, e o método precisa estar declarado no laudo.

Perguntas frequentes

O que significam SANT e SATU na microficha do PASEP?

SANT é o saldo anterior, que abre a microficha; SATU é o saldo atual, que a fecha. Nos formatos Tipo 2 e Tipo 3 são os únicos saldos impressos. O SANT somado a todos os lançamentos precisa resultar no SATU.

Por que o mesmo lançamento aparece em duas microfichas?

Cada microficha do Tipo 3 cobre dois ou três anos, e as janelas se sobrepõem. O lançamento repetido (mesma data e mesmo código) deve ser contado uma única vez.

Autorização de saque emitida reduz o saldo?

Não. Os códigos marcados com asterisco na cartilha do Banco do Brasil, como AS Emitida e AS em Cesec, não têm efeito na movimentação financeira. Só a família AS Paga deduz o valor do saldo.

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